A Insustentável Leveza de Ser... Mãe



Por certo notaste que as palavras dedicadas neste cantinho ao tema da maternidade, diminuiram. Os posts são em menor número, mais pequenos.
Para além de confessar um cansaço que não me tem permitido grandes inspirações, considero que isto é um reflexo de uma situação amplamente descrita na literatura em pediatria: o 1º ano de vida de um bébé é o que mais transformações implica. Os primeiros 2 anos são cruciais na formação da personalidade da criança...
Ora bem. Onde é que as coisas se relacionam?
No teu primeiro ano de vida, de dia para dia, de semana para semana, de mês para mês, tu cresceste tanto, adquiriste tantas competências a uma velocidade que a mim me pareceu vertiginosa. Eu precisava, a cada momento, reflectir sobre isso e sobre o impacto da nova condição de mãe na minha vida.
A partir do 1º ano, com a aquisição da marcha, as competências adquiridas foram apenas consolidadas e:
as primeiras tentativas de comunicar por sons deram lugar a palavras e depois a frases;
os primeiros passos deram lugar a pulos e correrias, a cambalhotas para a frente, a coreografias de mãos dadas conosco ou com um boneco de estimação ou em frente ao televisor;
o óbvio interesse pela música que antes não passava da insistência em ouvir DVD's musicais passou a cantorias com memorização de letras e sonoridades.
E com essas consolidações eu fui também consolidando a minha experiência, facilitando a minha compreensão sobre esse mistério que é crescer com a certeza cada vez mais absoluta que o crescimento tem, na sua inevitável linearidade, percursos irregulares: fases de muito apetite e menos, fases de doenças e de saúde, fases de sonos difíceis de conciliar e fases de dormir sem mais quê, fases de gostar de tudo e fases de não se contentar com nada, fases de birras e fases de uma placidez que faz lembrar uma maré de agosto, serena, fases de estagnação das aprendizagens e fases em que a cada minuto há uma descoberta...
a este processo de consciencialização da minha parte, ocorre-me plagiar Milan Kundera para lhe chamar a Insustentável Leveza de Ser Mãe... O que achas? A maternidade é algo leve, ligeiro, tudo se faz sem sacrifício explícito mas... acarreta um peso quase insustentável. Porque de tão leve e natural, pesa inexplicavelmente e molda-nos, deixando-nos ainda assim sufocadas, de alguma forma, por ela. Um sufoco que se sabe mas não se sente. Na doença, na dúvida sobre a melhor opção, a melhor forma de educar, na impossibilidade de voltarmos a ser um indivíduo, sozinho nas suas decisões e responsabilidades, sozinho nas suas escolhas. Mas de tão levezinho, de tão subtil nas suas forças, este sufoco é... imperceptível a cada instante. E é isso que torna tudo tão especial.
Mas tudo isto para explicar que a cada dia passei a apreciar o teu crescimento sem mais nada. Gosto de te olhar, ouvir, cheirar, adivinhar. Todos os dias haveria uma frase nova, hilariante, para colocar aqui mas a minha capacidade de memorização anda nas ruas da amargura e como tal acabo por registar aqui bem menos do que aquilo que gostaria. Além do mais, sem maquina fotográfica, nem surge, o mais das vezes, o pretexto para escrever... temos mesmo que tratar disso!
E depois... Dois anos e meio completados, resta dizer que posso falar em alguma sensação de missão cumprida: a minha intuição diz-me que emocionalmente és uma criança bem desenvolvida. Alegre, que lida bem com a frustração (não és de birras incontrolaveis e duradouras) e encaixas bem a palavra não quando é preciso. És meiga e carinhosa, muitas vezes. Outras tentas impor a tua vontade com um autoritarismo ingénuo, que nem tu propria levas muito a sério mas que revela auto-estima. Tens um bom humor que acho delicioso e provavelmente a característica que, para já, mais aprecio em ti! Não está mal...! Não sabes as cores, ainda andas de fralda e chucha... mas, sei bem o quanto isso não é importante, para já.
E agora, por tudo isto, perdoa-me a falta de assiduidade nas palavras. Pode ser?

3 comentários:

Paula disse...

Palavras... leva-as o vento... As tuas estão devidamente "consolidadas" aqui!
Obrigada por cá estares!
Beijos

Sophie disse...

sim o teu trabalho de mae está bem exemplificado :D:D

e fizeste um optimo trabalho que seja dito!

uma bjoquinha mt especial para ambas

Anónimo disse...

E que bem tens sido... A nossa Pipoca está a ficar uma senhora linda e bem comportada. Parece que nasceu ontem e já vai a caminho dos 3 anos, como o tempo passa...
Beijinhos para as duas lindas.