Ai... ele é a birra do sono, a birra da comida, a birra de embirrar!



Caminhamos a passos largos para o teu 3ª aniversário, querida filhota.
Já aqui o fiz mas vou resumir novamente e acrescentar aquela que acho que é a aquisição mais óbvia do terceiro ano de vida de uma criança:
1ª ano: aquisição e desenvolvimento da marcha;
2ª ano: aquisição e desenvolvimento da linguagem;
3º ano: aquisição e desenvolvimento (afirmação) da personalidade.
Quaisquer destas competências começam a desenvolver-se bastante cedo... são cumulativas ao longo dos 3 primeiros anos, que sei serem fundamentais. Mas julgo que no início de qualquer deles, se tornam óbvias e por isso dignas de registo.
Em ti, foram mesmo exactamente assim, não houveram desvios: não andaste antes dos 12 meses, não pronunciaste frases com mais de 2 palavras antes dos 24 meses e nunca foste tão ciosa das tuas vontades como agora, a escassos dias de completares os 36 meses!
Birras? Oh.... e eu que cheguei a sonhar que pudesses passar longe delas! Como ambicionei ter sido tão eficaz na construção da minha autoridade que pudesse continuar usando apenas de diplomcia para sanar as divergências e distrair-te da tentação de embirrar... Oh... como fui tola!Eheheh!
Minha querida Pipoca... nestas ultimas semanas reveláste finalmente que te tornáste definitiva e irreversivelmente criança. Não julgues que o reconheço com menos do que um profundo orgulho. Mas... com uma avassaladora sensação de caminhar no lodo do pantanal, com crocodilos ferozes, piranhas assassinas e plantas carnívoras imaginárias à espreita para me ditar um destino! Eheheh! Melodramática? Eu??? Claro que sim!
Ultimamente, a uma maioria de pedidos vem uma desobediência explícita, a uma maioria de ordens, um redondo NHÃO, a muitas rotinas antigamente estabelecidas um NHÃO QUEIO, ou pior um EU QUEIO... do mais exigente, teimoso e egoísta que há!
É que me vejo obrigada a reavaliar as estratégias, pela 1ª vez. E começo a sentir-me no limbo: será fundamental manter a minha posição e ser inflexível para evitar que a birra e a atitude desafiadora seja o prato do dia nos anos que nos esperam, ou sair airosamente do conflito, evitando-o ou desvalorizando-o, mas demonstrando com isso, a meu ver, alguma fragilidade que possa perpetuar os comportamentos no futuro?
E é aqui que sou obrigada a reflectir, muitas vezes debaixo de fogo cruzado e pressionada pelo cansaço, ou indisponibilidade ou presença de terceiros e quartos... e no calor do(s) momento(s), vario não raras vezes entre a exasperação (oh, algumas vezes e cada vez mais vezes acompanhada das famosas e controversas palmadas!) que só piora a situação ou algum laissez faire. Em qualquer dos casos, o resultado para mim é o mesmo: ansiedade, dúvidas, arrependimento. E o desejo de manter pelo maior espaço de tempo possível o tãaaao desejado cessar-fogo!
No entanto tenho chegado a algumas conclusões (algumas delas não deveriam ser novidade para mim, porque em teoria sempre as defendi!):
1. As palmadas são absolutamente desnecessarias, sobretudo ou porque não as sentes ou porque percebo que te incentivam também a alguma agressividade na resolução dos conflitos (do género: negamos-te alguma coisa e reages batendo ou beliscando; imitação?);
2. Por enquanto, parece funcionar melhor um silêncio profundo e um olhar chispando de desaprovação;
3. Armar-me de paciência e compreensão até aos dentes e agir com TODA a calma do mundo.
Não que eu não o fizesse antes (evitar palmadas, ter paciencia e calma, etc.) mas se antes o fazia com espontaneidade e naturalmente, agora preciso de as ir buscar ao fim do mundo.
Oh... e tanta gente que te conhece deve estar por esta altura a pensar que ensandeci. És um doce de menina, muitíssimo bem disposta e divertida, esperta e vivaça. O problema aqui é meu: fui eu que fui apanhada desprevenida, mal-habituada que estava a resolver as nossas divergências pela força de alguma inteligência própria dos adultos e pela força da tua colaboração desinteressada.
O que mudou foi que percebeste finalmente que existes, que precisas de marcar uma posição, descobrir onde andam as famosas fronteiras entre o certo e do errado, a consistência ou fragilidade das regras que ainda estás a aprender. E tudo isso é um processo normal e necessário.
Eu e o paizola estamos cá para ensinar, orientar, educar, tarefa da qual nunca nos demitiremos mas... confesso... muitas vezes me apetece virar costas e esquecer esses propósitos!

2 comentários:

Carla Caseiro | fotografia disse...

Oh, minha querida!!!

Antes de mais quero dar-te os meus mais sinceros Parabéns (atrasados) mas de coração..., e não quero deixar de te dizer que fiquei à espera da tua resposta ao nosso convite...

Adiante, nem sabes como de certo modo me sinto aliviada por de facto não estar sózinha naquilo que sinto neste momento em ralação à educação do Riocardo, ler-te fez-me perceber que estamos exactamente no mesmo barco e partilhamos os mesmos sentimentos; Não tenho dúvida que teríamos horas de conversa sobre este assunto, pena não termos oportunidade para tal; porque neste momento bem precisava de partilhar o meu estado emocional em relação ao Ricardo, com alguém que me "entendesse".

Pois é o que fazer, além dos 3 anos, eles são leão!!!! Consegues imaginar dois leões a teimar????

beijos
CC

Carla R. disse...

Querida Eli,

Cumpre-me a penosa obrigação de te informar que as birras e mais do que isso, os desafios à autoridade não vão terminar nos próximos anos.
Pior ainda ficarás eternamente no limbo sem saber ao certo como resolver a questão:
- Orgulhosa por algumas vezes da solução encontrada, e
- Triste contigo mesma, noutras alturas, porque em vez de melhorares a situação contribuíste para à sua detorioção, ou porque tiveste uma atitude ainda mais infantil do que a tua Pipoca!
(Oh! tantas atitudes menos acertadas que eu já tive: gritos, chantagens, ameaças, amuos e - como não podia deixar de ser - a contorversa palmada.