
A propósito de birras... hoje falava sobre isso, quando me lembrei que ainda não te contei como foi a tua 1ª visita da D. Birra... em público!!!
Foi no almoço de aniversário do paizola, em plena mesa do restaurante...
Levámos a tua cadeirinha de fixar á mesa e lá estavas tu toda pipoca, sentadinha como uma senhorinha. Chegaram as entradas e eu petisquei qualquer coisita. Quando terminei, pediste-me colo... (ainda me recordo de ouvir o avô Narciso dizer «Colo? Tás aí tão bem, tão bonita...!». Hesitei, confesso, mas acabei por te tirar da cadeira explicando que voltarias para lá quando o peixinho chegasse e pedi que concordasses com essa condição, o que fizéste com um aceno positivo e um qué! Só que o peixinho chegou mas... tu não querias sair do meu colo!!! Esperneáste mas lá te conseguimos por na cadeirinha, só que desatáste a berrar, alheia ás minhas explicações, elevando o sonoro até ao limite do suportável!!!
Eu estava determinada. Sem nunca te ignorar (porque isso acho que ainda é pior) mostrei-me inflexivel e apenas o facto de o teu paizola, morto de vergonha (e a tua tia Ana que não consegue ouvir bébés chorar sem ficar aflita, ehehehe!) me fez hesitar, comentando: Não estamos em casa, estamos a incomodar as outras pessoas...
Ariops! Pois, estamos. Percebi claramente que o PIOR das birras em público é mesmo o sentirmos, inadvertidamente, que já não somos somente dois pais a educar uma criança mas... um lugar inteiro de gente metida ao barulho! Mas... e o quê? Seria sempre assim? Bastaria largar-se a chorar como se fosse a criança mais infeliz e mal-tratada do mundo para conseguir o que queria??? Nah.... não me parece.
Fechei-me naquele espaço contigo (naquele momento só existias tu e eu), aproximei a minha cara o bastante da tua e sosseguei-te com mimo e palavras firmes, que explicavam, pela enésima vez, que o combinado tinha sido que voltarias á cadeira quando viesse o peixinho para a mesa. Aos poucos, acalmáste e desististe e permaneceste até que eu terminasse de comer na tua cadeira, conforme combinado. Mais uma vitória, com o sabor amargo da vergonha pública, da insegurança disfarçada, da frustração pela censura...
Tinha imaginado algumas vezes como seria quando a D. Birra resolvesse visitar-te no meio da rua... mas nunca tinha imaginado como eu me sentiria. Apenas acreditava (e acredito) que não podia ceder, fosse qual fosse o preço.
Quem tem filhos saberá concerteza como são e como choram e como teimam até desistir ou conseguir. Quem não tem não compreende. O pretexto desta birra até seria comovente, se pensarmos bem... pedias colo á tua mãe, nada mais. Não era um binquedo, não era uma guloseima em hora imprópria. Era colo.
Mas convenhamos, não tens 6 meses. Percebes tudo. Aceitáste o compromisso. Sou tua mãe e eu (ou qualquer outro adulto que cuide de ti) devo poder almoçar em paz e sossego. Hoje em dia, a tendência é para que as crianças se tornem o centro de tudo nas actividades conjuntas (mesmo que depois essas actividades sejam poucas e a atenção dispensada quase nenhuma, mas enfim... contas de outro rosário) e eu não vejo as coisas assim. Já Daniel Sampaio, no livro a Razão dos Avós pergunta o que é feito dos jantares em família em que as crianças ouviam caladas as conversas dos pais sobre o trabalho, a política, a vida quotidiana. Hoje em dia não existe: as crianças monopolizam as conversas, ou comem num flash para correr a ver televisão... Moralismo meu? Talvez.
Mas, naquele dia eu, como qualquer pessoa naquela mesa (sei que rapidamente qualquer um dos avós ou dos tios e até o paizola, de bom-grado te dariam colo, e não critico) tinham o direito a almoçar como deve de ser: há muito tempo para colo, já és capaz de entender regras e solicitações, e o teu lugar na mesa era aquele, na cadeirinha. Tal e qual como em casa.
As crianças devem ser o centro do mundo para os pais, mas os pais não devem anular as suas vontades para que isso seja possível. É nisto que acredito. E vais descobrindo aos poucos que sou inflexivel (para não dizer de uma teimosia atroz!!! Eheheh!). O teu paizola também será, a seu tempo, mais convicto. Se hoje é mais hesitante é só porque não te conhece como eu te conheço (mãe é mãe e nada muda isso). Quando digo que sei que entendes tudo, não tenho dúvidas... naquele momento percebeste tudo. A tua frustração é normal e desejável... desejável só não é que eu a alimente!
Será que foi a 1ª de muitas? Espero que não... apesar das minhas certezas, o aparato deixa-me completamente desarmada... Achas que se notou? Eheheh! Eu cá tinha gostado de um buraco para me esconder...