Very Bad!



Muitos devem estar a pensar que não estou boa da cabeça, por deixar aqui este post... Ontem morreu este senhor, Michael Jackson, e não podes imaginar a figura controversa e excêntrica que ele foi. Rei da música Pop, uma figura incontornavel dos anos 80, altura em que era eu uma criança. Nunca fui fã da sua música (porque fez sucesso numa época em que eu não tinha preferências musicais) mas ele faz, indubitavelmente, parte do meu imaginario.
Este post tem uma razão de ser: não consegui resistir á reflexão inevitável que esta morte me trouxe.
No espaço de 25, 30 anos muita coisa mudou. Este senhor pode ter sido demasiado estranho e polémico, pode ter se dedicado a um estilo musical que nunca apreciei (e como eu muitas outras pessoas) mas... alcançar o estatuto de estrela da música nos 4 cantos do mundo nos anos 70 ou 80 não foi possível a muitos. Na época, meu amor, as coisas não eram como hoje. Não haviam milhões de canais e TV cabo, não havia internet, não haviam triliões de artistas a serem conhecidos pelo seu trabalho...
Se daqui por 30 anos morrer o vocalista de uma banda musical da actualidade, podes acreditar que não haverá um mundo inteiro a saber de quem se fala, a lamentar a perda, a sequer dedicar a essa morte honras de blog e ou cinco minutos de conversa. Isso é actualmente uma grande improbabilidade. Estes ícones que perspassam imaginarios colectivos e que marcam épocas, pura e simplesmente, desaparecem com Michael Jackson, com Maddona (quando ela morrer) e com um ou outro que não me esteja a recordar agora.
Ontem morreu uma parte da minha infância, numa época em que todos tinhamos acesso á mesma informação, tinhamos os gostos moldados pela escassez da variedade mas... tinhamos mais em comum. Tinhamos em comum Michael Jackson e Maddona, os Jogos sem Fronteiras, os serões de programação televisiva de um só canal de televisão, o Top +... Tinhamos em comum brincar muito na rua porque em casa nos fartávamos depressa de não ter o que fazer. Tinhamos em comum ter liberdade para inventar os nossos brinquedos e para reinventar as estrelas que admirávamos... Hoje em dia, meu amor, está tudo feito, existe muita coisa, ora gostamos disto, ora daquilo, esquecemos rapidamente o que já foi apreciado. Digo isto sem saudosismo, acredita. Confesso que já não saberia viver de outra forma. Mas na verdade tanta coisa mudou e nem sempre as pessoas da minha geração (porque somos novos e consideramos-nos jovens ainda!) se apercebem disto.
Na verdade os tempos que correm não são melhores nem piores. São diferentes. E eu só queria que soubesses isso. Talvez daqui por outros 25, 30 anos possas ler estas palavras e fazer a tua propria comparação... vais ver que será surpreendente...

2 comentários:

káty disse...

Sem dúvida, tempos mto diferentes os de agora. Sublinho as tuas palavras, nem melhores nem piores, diferentes apenas. Mas essas lembranças da tua infância tb fazem parte da minha e tenho pena q em alguns aspectos os nossos rebentos já não venham a dar valor a determinados detalhes. Mas é a mudança, existe sempre coisas boas e más.

Bjcas

Rute disse...

É estranho ver uma figuras destas falecer assim do nada...fizeram parte da nossa infância, cresceram connosco...por muitos defeitos que tivesse, foi o que foi e todos o relembram desde o seu 1º single (ainda escurinho...hehe). Só assim se vê que fortuna e fama não nos traz vida, nem alegria, pois os seus ultimos dias,infelizmente, não foram de grande glória, mas irá deixar saudade, certamente, apesar de também não fazer parte do meu elenco musical preferido...

Jokas